APLARTE

BNL ENCERRA NOS DIAS DE CARNAVAL

23 de Fevereiro de 2017

BNL ENCERRA NOS DIAS DE CARNAVAL

Informamos que o salão da BNL, vai estar encerrado nos dias 27 e 28 de Fevereiro, reabrindo dia 1 de Março.

Bom Carnaval.

Outras Notícias

  • Fev 10 Segunda

    Alberto Pimentel.- Uma visita ao primeiro romancista português em S.Miguel de Seide. 1895
    Padre Senna Freitas.- Perfil de Camillo Castello Branco. 1888.
    Alberto Pimentel(Prefácio) O lubis-Homem. 1900
    Silva Pinto (Prefácio e Notas).- Cartas de Camillo Castello Branco. 1901
    António Joaquim. – Rapsódia Camiliana. 1905
    Silva Pinto.- Camillo Castello Branco. Notas e Documentos: Desagravos. 1910
    J.C. A. Motta Junior (Apreciações).- Cartas Notáveis. s.d.
    Visconde de Vila-Moura. (Prefácio e Notações ). Camillo Inédito. 1913
    Alberto Pimentel.- Memórias do Tempo de Camilo. 1913
    Sergio de Castro.- Camillo Castello Branco. Typos e Episódios da sua Galeria. 1914
    António Cabral.- Camilo de Perfil. 1914
    Alberto Pimentel.- Notas sobre o Amor de Perdição. 1915
    A.d’A.N.B.(Notas e Comentários).- Cartas Inéditas da Segunda Mulher de Camillo Castello Branco. 1916
    Alberto Teles. – Camilo Castelo Branco na Cadeia da Relação. 1917
    João Paulo Freire (Mario).- . A Campanha da Lápide. Camillo Castello Branco. 1917.
    Visconde de Vila-Moura.- As Cinzas de Camillo. 1917
    Archer de Lima.- Paixão e Morte de Camillo Castello Branco. 1917
    João Paulo Freire (Mario).- Camillo Castello Branco e as Quadrilhas Nacionais. 1917
    João Paulo Freire (Mario).- Entre Gigantes.A questão Camillo Castello Branco Guerra Junqueiro. 1917
    João Paulo Freire (Mario).- Camilo Castello Branco e Silva Pinto. 1918
    L. Xavier Barbosa (Coordenadas e annotadas). - Cem Cartas de Camillo. 1919
    Paulo Osório. – Camilo , a sua vida, o seu génio, a sua obra. 1920
    Alfredo Pimenta. – Sombras de Príncipes. 1920
    A Murraça. Poema épico em 3 cantos imputado ao glorioso escriptor português Camillo Castello Branco. 1920
    Alberto Pimentel (Prefácio).- Camillo. Aneedotas- Epigramas -Facecias -Ironias- Máximas- pensamentos – phrases – Satyras- etc. 1921.
    João Paulo Freire (Mario).- Casa de Camilo. 1921
    Alberto Pimentel.- O torturado de Seide. 1921
    Visconde de Vila-Moura.- Fanny Owen e Camilo.1922
    Joaquim Leitão.- Genio da Desgraça. s.d.
    Branca de Gonta Colaço (Prefácio).- Cartas de Camillo Castello Branco a Thomas Ribeiro. 1922
    J.M. Teixeira de Carvalho.- Dois Capítulos sobre Camilo Castelo Branco. 1922
    Bourbon e Meneses.- A Paisagem na Obra de Camilo e de Eça. 1922
    António da Costa Leão.- Camilo e o Povo fora dos dicionários. 1922
    Nuno Catarino Cardoso.- Camillo. Mulheres e Lágrimas. 1922
    Luis de Almeida Braga. – O Significado Nacional da Obra de Camilo. 1923
    Alberto Pimentel. – Os Amores de Camilo. 1923
    Júlio Dias da Costa. – Escritos de Camilo. 1923
    Júlio Dias da Costa. – Palestras Camilianas. s.d.
    Nicolau da Fonseca.- Uma Carta e algumas notas inéditas de Camilo Castelo Branco. 1923
    Oldemiro Cesar e Cruz Magalhães.- Em terras de ingratos…Campanhas Camilianas.1923
    Ludovico de Menezes.- Camilo. Documentos e Factos Novos. 1924
    João Curioso.- Camilo e as Caturrices dos Puristas. 1924
    António Cabral.- Camillo e Eça de Queiroz. 1924
    João Costa (Prefácio e Notas).- Castilho e Camillo. Correspondência trocada entre os dois escritores. 1924
    Silva Pinto(Prefácio e Notas).- Cartas de Camillo Castello Branco. 1924
    Livro Memorial a Figueira da Foz a Camilo Castelo Branco. 1925
    Alberto Pimentel,Filho.- Nosografia de Camilo Castelo Branco. 1925
    Sergio de Castro. – A Jazida de Camilo. 1925
    Fernando Campos.- Camilo Contra- Revolucionário. 1925
    Ricardo Jorge.- Camillo e António Ayres. Lisboa. 1925
    Vasconcelos Nogueira. – No Centenário de Camilo. 1925
    António Baião.- Homenagem a Camilo no seu Centenário. 1925
    Carlos Babo.- Á Beira do Centenário de Camilo. 1925
    Veloso d’Araújo .- Camilo em S. Miguel de Seide. 1925
    José Agostinho.- Camilloe a Sua Psycologia. 1926
    Alfredo Pinto (Sacavem).- Camillo na Música. 1926
    Cláudio Basto.- A linguagem de Camilo. 1927
    Conde de Azevedo (2°) .- Cartas Inéditas de Camillo Castello Branco ao 1° Conde de Azevedo. 1947
    Sanz Vieira.- Camilo e os Traficantes. S.d.
    Júlio Dias Costa( com uma notícia).- Cartas de Camilo ao editor Matos Moreira. 1928
    Barão de Paranapiacaba.- Elogio Fúnebre de Castello Branco. 1930
    Rocha Martins. – A Paixão de Camilo. s.d.
    Júlio Dias Costa (Prefácio e Notas).- Dois anos de Agonia. 1930
    Miguel Trancoso(coordenação ) e António Baião(Prefácio ).- Camilo e Castilho. Correspondência do primeiro dirigida ao segundo. 1930
    Augusto Gama.- Dois escritores coevos. Camilo castelo branco e Arnaldo Gama. 1933
    Visconde do Marco. – Cartas Inéditas de Camilo e de Ana Plácido. 1933
    Júlio Dias Costa.- Novas Palestras Camilianas. 1936
    António Ferrão.- Camilo e Silva Pinto. 1936
    Júlio Dias da Costa.- Camilo e Cipriano Jardim. 1937
    Álvaro Valente.- Aminha Visita ao Museu Camiliano de S. Miguel de Seide. 1940
    Oliveira Mota.- Camilo e os Frades. 1942
    José Gonçalves de Andrade.- Camilo Místico. 1943
    José de Lima.- Correspondência Epistolar sobre a ida de D. Ana Plácido para o Recolhimento de S. Cristóvão em Lisboa. 1944
    Costa Rego (Selecção e Prefácio ).- Polémicas em Portugal e no Brasil. 1944
    Ludovico de Meneses. – Um inédito de Camilo. Princípios para uma consequência. 1945
    Ápio Garcia.- Camilo e Soror Mariana por detrás das grades. 1945
    Odemiro Cesar.- Camilo e o Mor de Perdição. 1946
    Joias Camilianas. 1946
    Alberto Xavier. – Camilo Romântico. s.d.
    António Cabral.- Homens e Episódios inolvidáveis. 1948.
    António dos Reis Ribeiro.- O Padre Casimiro e Camilo. 1948
    Gomes da Costa, Filho.- Porque cegou Camilo?.1948
    Alberto Xavier. - Insólitas atitudes críticas a propósito do livro “Camilo Romântico“. s.d.
    Alberto Xavier.- A Ansiedade do Amor, a Angústia de Morrer e o Apetite da Morte nos Romances de Camilo. 1950
    Alberto Moreira.- Junqueiro e Camilo. 1950
    António da Costa Torres.- Camilo Castelo Branco e as Boticadas do Eusébio Macário. 1950
    A. do Prado Coelho. – Espiritualidade e Arte de Camilo. 1950
    Gentil Marques.- O Romance da sua Vida. 1951
    Luis de Oliveira Guimarães.- O Espírito e a Graça de Camilo. 1952
    Gondim da Fonseca.- Camilo Compreendido. 2 vols. 1953
    Manuela de Azevedo.- “O Amor de Perdição”. A novela camiliana. 1955
    José de Campos e Sousa.- Processo Genealógica de Camillo Castello Branco. 1956
    Manuela de Azevedo.- Camilo e Fanny. 1957
    Sousa Costa. – Camilo- No drama da sua vida. 1959
    Raul Rego.- Anotações de Camilo à “ História de Portugal nos sec XVII eXVIIIc de Rebelo da Silva. 1959
    Luiz Norton.- Doze Cartas Inéditas de Camilo Castelo Branco. 1964
    Bernardino Gracias.- Camilo Suicida. Ensaio bio-bibliografico. 1965.
    Joaquim Ferreira.- Memórias de Camilo extraídas das suas obras por…1965
    Cenas da Hora Final. 1965

    Mário de Menezes.- Camilo em Ribeira de Pena. 1965
    Túlio Ramires Ferro.- Tradição e Modernidade em Camilo. 1966
    Alberto Xavier.- Camilo e outras Figuras e factos da literatura nacional e internacional. 1967
    José Abreu.- Rescaldo da Revista Camiliana & Vária. 1968
    Carlos Leite.- Camilo, de Passagem pela Serra do Alvão. 1969
    Adriano Coutinho Lanhoso.- Camilo visto por Freitas Fortuna seu amigo e seu irmão. 1970.
    Benjamin Salgado.- Camilo em datas, Factos e Comentários. 1972
    Alexandre Cabral (Prefácio e Comentários).- Cartas de Camilo aos Editores António Maria Pereira. 1973
    Alexandre Cabral.- Acerca de um “Plebiscito literário” em 1884. 1973
    João de Araújo Correia.- Uma Sombra Picada das Bexigas. 1973
    Alexandre Cabral (Recolha,apresentação e notas).- Páginas Quase Esquecidas. 2 vols 1973
    Maximiano Lemos.- Camilo e os Médicos. 1974
    Aníbal Pinto de Castro.- Narrador, Tempo e Leitor na Novela Camiliana. 1976
    Amandio Cesar.- A Casa Assombrada de S. Miguel de Seide. S.d.
    Moreira das Neves.- Camilo tal e qual. 1978.
    Alexandre Cabral.- Escritos diversos de Camilo Castelo Branco. 1979
    Alexandre Cabral. – As Novelas de Camilo Castelo Branco Vol I. 1979.
    Alexandre Cabral. Camilo Castelo Branco. Roteiro Dramático dum Profissional das Letras. 1980
    Ricardo Jorge.- Camilo Castelo Branco. Recordações e Impressões. Camilo e António Aires. s.d.
    Alexandre Cabral. – Estudos Camilianos I. 1978
    1° Centenário de Camilo Castelo Branco. 1982
    Jacinto do Prado Coelho.- Introdução ao Estudo da Novela Camiliana. 2 vols. 1983
    José Augusto França. – Camilo ou L’ Option du Malheur. 1984
    Alexandre Cabral.- Correspondência de Camilo Castelo Branco com os irmãos Barbosa e Silva. 1984
    José Augusto França, R.A.Lawton, Eduardo Lourenço. – Hommage a Camilo Castelo Branco. 1985
    Alexandre Cabral.- Correspondência de Camilo Castelo Branco com António Feliciano de Castilho -II, Eugénio de Castro e Júlio Castilho. 1985
    Abel Barros Baptista.- Camilo e a Revolução Camiliana. 1988
    Paulo Samuel.- Camilo e a Renascença Portuguesa. 1990
    Emília Sampaio Novoa Faria.- Camilo em Landim. 1990
    Francisco Martins.- Camilo quando jovem escritor. 1990
    Uma visita à casa de S. Miguel de Seide. 1990
    Memórias de Camilo. Catálogo da Exposição. 1990.
    João Bogotte Chorão.- Páginas Camilianas e outros Temas Oitocentistas. 1990
    Centenário de Camilo em Guimarães. 1990
    Camilo: Evocações e juizos. Antologiade ensaios. 1991
    Fernanda Damas Cabral.- Ana Plácido. Estudo, cronologia, antologia. 1991
    Alfredo Barroso.- O Bruxo de Ceide. Breviário Camiliano. 1992
    In Memoriam Camilo. Centenário da morte. 1992
    João Camilo dos Santos.- Os maleficos da literatura do amor e da civilização. Ensaios sobre Camilo Castelo Branco. 1992
    Camilo: Interpretações modernas. 1992
    João Bigotte Chorão.- Camilo Camiliano. 1993
    Colóquio de Estudos Camilianos. 1993
    Abel Barros Baptista.-O Inexorável Romancista.Episódios da Assinatura camiliana.1993
    Estudos Camilianos. Camilo Castelo Branco. Jornalismo e Literatura no sec. XIX. 1993
    João Camilo dos Santos (edited). Colloquium of Santa Barbara. Camilo Castelo Branco no centenário da sua morte. 1995
    Ana Paula Dias.- Para uma Leitura do Amor de Perdição. 1996
    Em torno de Camilo. II Bianal de Famalicão. 1997
    Guilherme G.de Oliveira Santos .- Camilo Castelo Branco e José Agostinho de Macedo. s.d.
    Manuel Tavares Teles.- Os Manuscritos Gertrudes. Diário intimo e cartas de amor de Gertrudes da Costa Lobo a Camilo Castelo Branco. 2007
    Campos Matos (Prefácio) e João Bigotte Chorão (Posfácio).- Cartas Inéditas Camilo Castelo Branco ao Visconde de Ouguela. 2012

    Alguns títulos poderão ser classificavéis no âmbito da bibliografia activa, no entanto e face aos textos introdutórios, prefácios, comentários e notas, considerámos que se enquadram neste conjunto maioritariamente composto por bibliografia passiva.

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  • Jun 15 Sábado

    O espólio dos mestres

    A 25 de Janeiro do corrente ano recebi uma mensagem do estimado colega Vítor Serrão sobre a aparição na Bestnet, de Jean-Pierre Blanchon e Alexandre Saldanha, de um maço de manuscritos com desenhos a sanguínea que poderiam ser de Machado de Castro, desafiando-me para uma avaliação in loco do referido conjunto.
    Correspondendo ao seu alerta passei, avistei-me com os referidos sócios da leiloeira, que me apresentaram uma velha mala cheia de desenhos e gravuras, arrumados a granel tal qual haviam chegado às suas mãos.
    Preparara-me apenas para uma breve visita de reconhecimento, dado ter outro compromisso, e acabei por ficar mais de duas horas e meia. Da mala começaram a saltar manuscritos dos escultores Machado de Castro e Francisco de Assis Rodrigues e, logo depois, um estudo do frontão da fachada do teatro de D. Maria II no Rossio.
    Saí da leiloeira já com as insónias que se agravariam nessa noite com a memória em polvorosa, a fervilhar hipóteses, atribuições, contextos, procurando uma explicação plausível relativamente ao que acabava de observar.
    Num aspecto estava, porém, já tranquilo: havia sido possível equacionar algumas ideias chave. Estabelecera uma cronologia segura para o conjunto, que mediava entre a década de 60 do século XVIII e os finais de Oitocentos, sendo o primeiro marco derivado de uma série de desenhos a sanguínea que se encontravam datados e o último coincidente com o período activo de Francisco de Assis Rodrigues.
    Verifiquei, por outro lado, tratar-se de um acervo de escultores o que aumentava a raridade do conjunto perante a escassa conservação deste tipo de espécimes nas principais colecções nacionais.
    Aprofundando a observação fixámos alguns denominadores comuns do acervo que nos ajudaram a compreender o significado e a importância do espólio. Notámos que apenas uma percentagem residual de desenhos se encontrava assinada e que eram muito raros os exemplos de trabalhos que apresentassem um grau de acabamento avançado. Pelo contrário a dominante manifesta do conjunto era constituída por primeiros esboços ou estados intermédios, nalguns casos documentando as etapas de desenvolvimento de obras em progresso.
    O mais importante, inequivocamente valorizador do conjunto, é que a investigação desenvolvida permitiu identificar, em número considerável, as obras finais que os desenhos equacionavam nas suas diferentes fases de construção. Como referimos anteriormente desde a primeira análise que havíamos fixado a cronologia de base.
    Na segunda fase, através das obras que foi possível identificar, detectámos um surpreendente alinhamento geracional de escolas de escultura desde Mafra a Lisboa, evolução com um evidente significado dada a coerência e homogeneidade do conjunto. Do restrito acervo de manuscritos e desenhos assinados, sobrevieram os nomes de Joaquim Machado de Castro, Faustino José Rodrigues e Francisco de Assis Rodrigues, os três sucessivos directores da Escola de Escultura de Lisboa, estabelecendo uma genealogia completa daquela Aula, desde a fundação (1770) à respectiva integração na Academia Real de Belas Artes da Capital criada em (1836).
    Como se estas conclusões não fossem bastantes para a qualificação definitiva do achado, a referida existência do grupo de desenhos a sanguínea, da década de 60 de Setecentos, permitiu primeiro equacionar, e depois confirmar plenamente, graças ao contributo de Sandra Saldanha, tratar-se de raríssimos exemplares comprovativos da actividade pedagógica da Escola de Escultura de Mafra de Alexandre Giusti, reconhecidamente inspiradora da escola de Machado de Castro, que lhe sucederia no contexto da criação do monumento a D. José I (1770-1775) da Praça do Comércio de Lisboa.
    Sendo o mestre coimbrão o elo de ligação entre as duas aulas, não parece especulação excessiva equacionar a sua responsabilidade, senão na autoria dos citados exercícios de Mafra, pelo menos no acto da sua conservação, transporte e inclusão no espólio da Escola de Escultura de Lisboa de que Francisco de Assis Rodrigues foi assumido herdeiro.
    Por outro lado, a identificação de manuscritos e espécimes oitocentistas, oriundos da actividade formativa de Assis Rodrigues, prolongou o valor documental da série, testemunhando as práticas de ensino em vigor já em plena actividade da Academia Real de Belas Artes, rasgando até meados do século XIX o horizonte cronológico do legado em análise.
    Uma sequência convergente de testemunhos de caracter mais pessoal, entre os quais salientamos jogos completos de litografias do tratado das proporções publicado por Assis Rodrigues, fotografias a albumina de edifícios parisienses que se lhe são oferecidos com dedicatória, e uma gravura do aparato fúnebre de D. Miguel, em concordância com o seu reconhecido posicionamento ideológico, foi bastante para validarmos a hipótese sempre equacionada desde o início de lhe atribuímos a responsabilidade pela reunião do espólio em análise.
    Esta probabilidade consolidava-se, igualmente, pela memória que mantínhamos de outras investigações sobre a complementaridade do espólio com as colecções gráficas da Academia Nacional de Belas Artes e do Museu Nacional de Arte Antiga, ambas em parte subsidiárias de doações e /ou transferências de espécimes com a marca de posse de Francisco de Assis Rodrigues. Tal relação foi possível confirmar nas consultas efectuadas a ambas instituições agradecendo respectivamente à Dra. Natalia Correia Guedes e à Alexandra Markl o apoio dispensado.
    Em suma estávamos perante um legado único, que contemplava um vasto período da história da escultura portuguesa da segunda metade de Setecentos até ao entardecer de Oitocentos, cobrindo integralmente o processo transformador do ensino oficinal de matriz corporativa para uma pedagogia avançada pré-académica, iniciada por Giusti em Mafra e que, atravessando gerações, se depositara no espólio do último dos mestres identificados Francisco de Assis Rodrigues, documentando a actividade das mais representativas escolas de escultura que se sucederam em Portugal.
    Se a constatação imediata da cronologia ampla do acervo se tornou evidente, uma outra linha de continuidade e coerência consolidava-se, com naturalidade, na leitura do espólio.
    Presenciávamos um completo teorema documental de formação de artistas, detectando-se sucessivas recolhas pedagógicas, conjugando texto e imagem, surpreendendo aqui, para além dos previsíveis contributos dos citados mestres escultores, um raríssimo documento, que recebe o título Proporções do Homem, assinado por um mestre gravador, pioneiro no ensino das belas artes em Portugal, Joaquim Carneiro da Silva, autor do projecto de organização da primeira Aula Pública de Desenho portuguesa criada no reinado de D. Maria I (1781).
    Nesta compilação de cartilhas de aprendizagem, sobressaí o alinhamento dos manuscritos em torno das proporções do corpo humano, deixando evidente a prioridade da reflexão sobre o tema considerado consensualmente determinante na formação dos artistas.
    Complementando esta linha dorsal, encontram-se-lhe associados uma profusão de gravuras de anatomias e de elementos do corpo humano e respectivos de exercícios de cópia, assinados por Faustino e Assis. A sua existência, no contexto deste acervo, ilustra as práticas pedagógicas seguidas, em particular no início da aprendizagem da arte do desenho, construída no exercício de observação e cópia de gravuras e baixos-relevos em gesso, antes da passagem ao desenho de modelo, e no caso dos escultores à modelação em barro e ao talhe directo na pedra.
    Observando a diversidade patente no espólio, em paralelo à pedagogia, surge o processo criativo, como é expectável no método de aprendizagem em acção, tradicional na praxis da disciplina.
    Neste domínio surpreendemos desde primitivos bosquejos – para usar a terminologia seguida por Assis Rodrigues – até à sistematização e desenvolvimento dos pensamentos a um nível que pudemos, em muitas situações, estabelecer ligações consistentes entre os desenhos e as obras finais, acompanhado a rotina produtiva de uma oficina de escultura.
    Deste exercício resultou a Identificação de estudos que documentam diversas fases da criação das seguintes obras; baixo-relevo da estátua equestre a D. José da Praça do Comércio, tumulária de D. Afonso IV e D. Beatriz da Sé de Lisboa, estátua de D. Maria I da Biblioteca Nacional, estatuária clássica do palácio de Belém, bustos da cascata dos poetas do Palácio Pombal em Oeiras, elementos escultóricos da Quinta de Caxias, de diversa estatuária religiosa, etc., para além de outros espécimes abrirem novas e interessantes hipóteses de trabalho que no local apropriado trabalharemos. À medida que fomos aprofundando a análise do espólio, e identificando os desenhos que o compunham, fomos compreendendo a homogeneidade e o compromisso das peças entre si, reforçando a autenticidade do conjunto e a importância da descoberta.
    O recurso sistemático ao desenho, como elemento inicial do processo criativo do escultor, encontra no conjunto em análise uma elucidativa expressão, constituindo no nosso ponto de vista uma das mais-valias do espólio.
    Reforçando a valia da colecção, acrescente-se a presença de umas centenas de estampas que documentam igualmente processos do trabalho oficinal, algumas exibindo as habituais quadriculas de transferência, recolhas de imagens de diversas áreas, da escultura figurativa á ornamental, de que registamos um conjunto de frontispícios indicativos da circulação de modelos pelas referidas oficinas e laboratórios de escultura, e interessantes insistências em estampas de baldaquinos, tumulária, etc.
    A conservação do espólio que, recorde-se, atravessou gerações expõe, por outro lado, a compreensão do respectivo significado pelo seu último utilizador, preservando exercícios de diminuta expressão artística, muitas vezes condenados à efemeridade dos momentos de criação, nas rotinas de oficina, sobrevivência apenas justificável pelo valor afectivo que encerra como testemunho da actividade dos mestres que o antecederam numa nostalgia de reconhecimento e gratidão.
    O conjunto de mais de duas centenas de desenhos resulta deste contexto, exterior ao mercado de arte, não tendo sido reunido pela acção de colecionadores. Neste universo já por si pautado, na generalidade, pela secundarização da arte do desenho, reconhecidamente não exibível devido à respectiva fragilidade material, afugentando os amadores da procura, mais raro se torna se nos focarmos nos espólios de desenho de escultores.
    A ausência de peças importantes assinadas, ou de outras com notório impacto artístico ou efectivamente acabadas, levam-nos igualmente a ponderar a hipótese de estarmos perante um espólio residual, truncado dos espécimes mais facilmente transacionáveis que sabemos terem existido na colecção de Francisco de Assis Rodrigues.
    Essa eventualidade não desvaloriza o conjunto notoriamente qualificado pela expressão excepcional do seu potencial enquanto documentação nuclear para a História da Arte e particularmente da Escultura em Portugal e, enquanto tal, um património de difícil avaliação e sobre o qual urge deixar uma memória consistente e revisitável.
    Um último aspecto nesta progressão de ocasos que levaram à conservação deste espólio reside no facto de se ter mantido coeso mais de um século após a morte do seu compilador, o que significa que esteve selado numa espécie de cápsula do tempo ignorado pelos seus detentores e herdeiros até ao momento presente.
    A sobrevivência do conjunto, à luz de todas as circunstâncias citadas, transforma-o num espólio oficinal único, razões pelas quais não era aceitável deixar de o revelar, pelos meios ao nosso alcance, de forma a que o valor documental que conserva pudesse manter-se vivo para futuras investigações, justificando a edição do presente catálogo.

    Lisboa, 24 de Maio de 2019
    Miguel Figueira de Faria

     

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